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Feminismo: A Transformação da Geração que Nasceu nas Décadas de 50/60

Atualizado: 30 de jul. de 2023

Mulheres que nasceram nas décadas de 50 e 60 enfrentaram significativas transformações socioculturais, com destaque para a ascensão do feminismo e suas influências nas questões de gênero. O feminismo emergente foi um movimento-chave que desafiou essas normas e impulsionou mudanças significativas para garantir mais igualdade e oportunidades para as mulheres, abrindo caminho para a desconstrução desses estereótipos de gênero.



mulher feminista

O despertar da adolescência: Em busca de respostas além dos estereótipos de gênero


Era uma vez uma garotinha que estava iniciando a adolescência. Uma menina precoce, já começava a pensar em namorar. Um dia, ela olhou para o seu primo e se apaixonou, mesmo ele sendo quatro anos mais velho. Isso causou uma grande agitação na família, pois perceberam que a menina já não se interessava mais por brincar de bonecas, mas sim em brincar de namorar. Mas o que fazer diante da força da adolescência? A mãe da menina ficou preocupada, mas proibir seria ainda pior, já que os dois moravam a apenas um quarteirão de distância um do outro. Assim, eles começaram o namoro.


Os dias foram passando e a mocinha viu seu namorado conversando com um homem mais velho, amigo da família. Eles faziam gestos que pareciam indicar que estavam falando sobre garotas. Ela ficou muito, mas muito zangada com o namorado, fez várias perguntas, até que finalmente ele confessou que aquele tal "amigo de família", muito mais velho, havia sugerido que eles fossem a um prostíbulo. A menina ficou furiosa e voltou para casa para questionar à família como permitiram que levassem seu namorado para encontrar prostitutas, e como aquele "amigo de família" poderia fazer algo tão inapropriado.


A resposta que a menina ouviu foi curta e direta: "Homens precisam procurar mulheres". Abismada, a menina perguntou: "Se um homem precisa de uma mulher para ter relações sexuais, por que uma mulher não precisa de um homem?". A resposta que recebeu foi ainda mais surpreendente: "Porque a mulher tem a menstruação para se aliviar!".


Tudo isso aconteceu no ano de 1971, quando ela tinha apenas 12 anos.


Esta é uma história baseada em fatos reais. Aquela menina ficou perplexa diante das visões distorcidas sobre sexualidade e gênero. Essa é apenas uma pequena história que ilustra como muitas vezes as mulheres eram submetidas a estereótipos e tratadas de forma desigual.


Transformando os papéis de gênero: A luta das mulheres nas décadas de 50 e 60


Mulheres que nasceram nas décadas de 50 e 60 viveram um período de grandes transformações socioculturais, especialmente no que diz respeito às questões de gênero. Nesse contexto, as mulheres enfrentavam restrições significativas em suas vidas, com papéis de gênero rigidamente definidos e uma série de limitações em relação às suas aspirações profissionais e participação na esfera pública.


Naquela época, as expectativas sociais em relação às mulheres eram baseadas em estereótipos tradicionais, nos quais o papel principal atribuído a elas era o de esposas e mães dedicadas exclusivamente ao lar. A sociedade reforçava a ideia de que as mulheres deveriam se concentrar em cuidar da família, realizar tarefas domésticas e obedecer aos padrões de comportamento estabelecidos.


As mulheres da minha geração já tinham ambições profissionais, e quando chegavam à idade adulta, muitas procuravam estudar para exercer profissões que possibilitassem uma independência financeira e profissional. Embora tivessem crescido com a influência da cultura da época, muitas superaram as limitações inerentes à geração de suas mães, que tinham oportunidades de carreira restritas a áreas consideradas "adequadas" para o sexo feminino, como professora, enfermeira ou secretária. Mesmo nessas áreas, elas enfrentaram obstáculos e discriminação, sendo frequentemente subvalorizadas e recebendo salários inferiores aos dos homens em posições semelhantes, o que ainda ocorre nos dias de hoje.


O despertar do movimento feminista: Desafiando estereótipos e redefinindo a sexualidade


Esse contexto social e cultural já vinha sendo questionado e desafiado com o advento do movimento feminista. O movimento feminista surge como resposta às desigualdades e injustiças enfrentadas pelas mulheres, buscando sua emancipação e igualdade de direitos. O movimento feminista trouxe à tona questões como a discriminação de gênero, violência doméstica, desigualdade salarial e a falta de representação política das mulheres.


Quando Betty Friedan, uma das principais ativistas do movimento feminista na década de 60, questionou o papel limitado das mulheres na sociedade, abriu espaço para que aquela menina de 12 anos pudesse aspirar a sua realização pessoal e profissional. Surpreendentemente, mesmo com sua mãe tendo abandonado o trabalho quando se casou, para se dedicar ao papel de dona de casa, ela já havia sido de certa forma influenciada por essa mudança de paradigma social e encorajou sua filha a buscar independência. O livro lançado por Betty Friedan nos Estados Unidos, "A Mística Feminina" (The Feminine Mystique), foi um marco significativo, despertando muitas mulheres para a consciência de que suas vidas poderiam ser mais do que apenas uma dedicação ao lar.


Na década de 70, as mulheres já conheciam o direito sobre seus próprios corpos, e a revolução sexual já estava em vigor, o que deu início à transformação das noções tradicionais de sexualidade e relacionamentos. Essas conquistas possibilitaram que as mulheres pudessem vivenciar uma sexualidade mais plena e saudável, com autonomia para tomar decisões sobre seus próprios corpos e relações íntimas. Essas transformações abriram caminho para uma maior igualdade de gênero e para uma redefinição dos papéis e expectativas sociais em relação à sexualidade feminina.


Mulheres na Vanguarda: Rompendo Barreiras na Ciência e na Pesquisa


Na década de 70, as mulheres já ingressavam em áreas anteriormente dominadas por homens, como ciência, medicina, direito e política. As conquistas da geração anterior abriu caminho para que as gerações seguintes de mulheres pudessem aspirar a carreiras diversas e alcançar posições de destaque. O fortalecimento do movimento feminista permitiu que as mulheres reivindicassem seu direito à igualdade de acesso e às oportunidades profissionais. A luta por igualdade de oportunidades e pelo reconhecimento das capacidades das mulheres, desempenhou um papel fundamental em abrir portas para que mais mulheres possam se destacar em campos como ciência, pesquisa e conservação.


A primatologista Dr. Jane Goodall é um exemplo de mulher que desafiou os padrões estabelecidos e fez contribuições notáveis em seu campo. Seu trabalho revolucionário na primatologia e conservação ambiental reflete a importância do movimento feminista na busca pela igualdade de gênero e pela valorização das mulheres em áreas tradicionalmente dominadas pelos homens. Jane Goodall, nascida em 1934 e atualmente com 89 anos de idade, continua sendo um exemplo de coragem e determinação para as mulheres, por sua paixão e carreira. Sua pesquisa pioneira e suas descobertas inovadoras desafiaram as ideias previamente estabelecidas sobre a natureza dos primatas, redefinindo o campo da primatologia, da conservação ambiental e dos direitos dos animais.


No campo da ciência brasileira, temos como exemplo Mayana Zatz, nascida na década de 50, que se destaca por suas contribuições pioneiras no campo da genética humana e médica, especialmente em relação a doenças genéticas como a distrofia muscular de Duchenne e a doença de Huntington. Além de suas realizações científicas, ela é reconhecida como uma líder inspiradora e defensora da inclusão das mulheres na pesquisa científica. Mayana Zatz é professora titular, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo e fundadora do Instituto BRAINN. Seu trabalho tem influenciado gerações de cientistas no Brasil e ao redor do mundo.


Mulheres Vintage: O Legado da Revolução Feminista


Não importa de que mulheres estamos falando, se são mulheres que optaram por serem as provedoras de suas famílias ou aquelas que, como os exemplos acima, se destacaram em seus campos profissionais. Todas foram influenciadas e se beneficiaram do movimento feminista em todas as áreas profissionais e em todos os direitos sociais que adquiriram, que hoje em dia fazem parte do que, de maneira descontraída e sem muito compromisso, do que considero a "revolução adolescente vintage".


Algumas mulheres que cresceram em um mundo pleno de transformações de nossos direitos podem até ter alguma restrição ou preconceito em relação ao que se estabeleceu como conceito feminista na atualidade, pois a geração atual busca exercer plenamente seus direitos, mesmo que ainda não plenamente reconhecidos, em um mundo que ainda continua com a hegemonia masculina. No entanto, independentemente de concordarmos ou não com muitos conceitos, todas nós usufruímos dessa revolução, que deu às mulheres vintage um diferencial para aquilo que chamamos de envelhecimento.


Entre a menina que ouviu da família que a menstruação era o "benefício" que a "libertava" do "cárcere" do desejo sexual e a mulher que aqui escreve, há um cabedal de histórias que permeiam todo esse tema.


Abaixo está uma lista de algumas das principais conquistas alcançadas graças ao movimento feminista:

  1. Direitos reprodutivos: A luta feminista levou à legalização do aborto em muitos países, garantindo às mulheres o direito de decidir sobre seu próprio corpo e saúde reprodutiva.

  2. Igualdade salarial: Embora ainda haja disparidades salariais entre homens e mulheres, o movimento feminista contribuiu para a conscientização sobre a desigualdade salarial e pressionou por leis e políticas que buscam garantir a igualdade de remuneração pelo mesmo trabalho.

  3. Participação política: O movimento feminista lutou pela igualdade de representação política, resultando em maior presença de mulheres em cargos de poder e influência, tanto em governos quanto em organizações internacionais.

  4. Direitos civis e legais: As mulheres conquistaram direitos civis e legais fundamentais, incluindo o direito ao divórcio, direito à propriedade, direito à guarda dos filhos e proteção contra discriminação com base no gênero.

  5. Educação e carreira: O movimento feminista defendeu o acesso igualitário à educação e lutou contra estereótipos de gênero em relação às escolhas profissionais. Isso resultou em mais mulheres buscando ensino superior e oportunidades de carreira em áreas antes dominadas por homens.

  6. Conscientização sobre violência de gênero: O movimento feminista trouxe à tona a questão da violência contra as mulheres, levando a avanços na legislação de combate à violência doméstica, estupro e assédio sexual.

  7. Desconstrução de estereótipos de gênero: O feminismo desafiou os estereótipos tradicionais de gênero, promovendo a ideia de que homens e mulheres podem ter interesses, habilidades e papéis diversos na sociedade.

  8. Redefinição dos padrões de beleza: O movimento feminista questionou os padrões de beleza impostos às mulheres, incentivando a aceitação do corpo em suas diversas formas e a valorização da autoestima e do bem-estar individual.


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