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Cora Coralina: A Poesia que Transcende o Tempo

Cora Coralina publicou seu primeiro livro em 1965, quando tinha 75 anos. Mas o reconhecimento verdadeiro veio apenas aos 91 anos, em 1980, quando o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu um artigo sobre ela no Jornal do Brasil.

Não me recordo do exato momento em que ouvi falar, mas na minha juventude, surgiu uma história sobre uma senhorinha e um livro de poesias chamado "Vintém de Cobre". Naquela época, morando em uma cidade do interior e com pouco contato com a literatura, a televisão era nossa principal fonte de informação. Foi assim que me encantei com a poesia e a história dessa mulher que publicou seu primeiro livro aos 75 anos e só ganhou reconhecimento aos 90. Estamos falando de Cora Coralina, a Aninha, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas.



Cora Coralina e os doces
Alegoria Cora Coralina e seus doces

As memórias de Aninha


As memórias de Aninha giravam em torno da infância e da vida em sua cidade natal, Goiás, e das tradições que moldaram seu caminho. 'Vintém de Cobre - meias confissões de Aninha" foi o terceiro livro publicado por Cora, em 1983. Seu título remete a uma antiga moeda brasileira de pouco valor, e seu conteúdo é simples e essencial como suas memórias. São poemas que exploram temas da infância e reflexões sobre a vida. Tudo expresso em versos líricos, que transportam para um universo que celebra o passado.


Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas - a Aninha


Ela Nasceu em 1889, em meio a uma sociedade conservadora e dominada por rígidos padrões de gênero, uma menina do signo de Leão, que desde jovem se encantou pelas palavras. Aos catorze anos, começou a escrever seus versos, chegando a publicar nos jornais locais, como, por exemplo, o periódico literário "A Rosa", que acolheu alguns de seus primeiros escritos. Em 1910, Ana casou-se e foi morar em São Paulo, onde vivenciou eventos históricos marcantes como a Revolução de 1924, o surgimento e declínio de Getúlio Vargas e a Revolução Constitucionalista de 1932.

Cora Coralina
Cora Coralina -commons.wikimedia.org

Em meio a esses eventos, ela morava no interior paulista e, após ficar viúva e, somente em 1956, voltou a Goiás, sua terra natal. Foi lá que a doceira emergiu, entrelaçando memórias e açúcar, criando poemas de uma simplicidade e lirismo singulares. Aos setenta anos, ela aprendeu a datilografar e retomou o pseudônimo adotado aos quinze. Aos 75 anos, publica seu primeiro livro, "Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais".





O reconhecimento de Carlos Drumond de Andrade


Contudo, foi aos 90 anos que o grande reconhecimento chegou. Uma carta de Carlos Drummond de Andrade, um dos mais renomados poetas brasileiros, chegou até ela. E quando ela lançou seu livro "Vintém de Cobre", Drummond escreveu:


“Seu Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não se pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia (...)”


Carlos Drummond de Andrade – Rio de Janeiro, 7 de outubro de 1983



Reflexões sobre Aninha


Já se passou muito tempo desde que lí Vintém de Cobre, e a vida sempre revela surpresas que nos faz questionar: que legado deixaremos aqui neste mundo?

Nestes momentos, lembrar a história de Cora traz um sorriso no rosto, pois ela foi um exemplo sobre as possibilidades que a vida pode nos oferecer, independente do momento em que estamos vivendo. Cora despertou minha paixão desde a juventude, e seu livro "Vintém de Cobre" continua a me acompanhar até os dias de hoje.

Analisando sua trajetória, é impossível não reconhecer o legado que ela nos deixou como um ícone de superação e inspiração, ressaltando a possibilidade de iniciar uma carreira em qualquer idade. Assim como ela, compreendo que a juventude interior, a criatividade e a disposição para explorar e construir não são limitadas pela cronologia dos anos. Cora Coralina nos lembra que é fundamental manter essa perspectiva em mente, de forma a abraçar novas paixões e buscar horizontes inexplorados, assim como ela fez ao longo de sua notável vida.


🌼📚 Se você se inspirou com a história de Cora Coralina, compartilhe com alguém que também pode encontrar motivação nessa trajetória de superação! 🌟 E não deixe de explorar mais artigos inspiradores em nosso site. Juntos, vamos celebrar histórias que transcendem o tempo e nos impulsionam a seguir nossos sonhos! 💖


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